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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Mr Robot: fsociety

Tenho um lado que é do contra desde que me lembro de mim. Não gosto do mundo em que vivemos. Isso não faz de mim, acho, uma pessoa negativa. Tento tirar o máximo partido, prazer, proveito, de tudo. Sentir-me grata pelas coisas boas. Mas não acredito num mundo feito de regras, imposições, desigualdades, formas modernas de escravidão a uma máquina movida pelo interesse de uns poucos, que obrigam os outros, a maioria, a baixar a cabeça e a submeterem-se a injustiças, exploração, créditos a oitenta anos, e outras coisas afins. Penso que há algo profundamente errado num mundo em que 2% detém 90% de toda a riqueza. Existe alguém por aí que partilhe as minhas ansiedades ou o meu espírito de revolta. Há, pelo menos na ficção, que é onde a minha alma tantas vezes encontra consolo. Chama-se Mr Robot e é uma série. Sim,uma série cuja primeira temporada de oito episodios tornou as minhas noites não só mais emocionantes, como inteligentes e questionadoras. Senti que não estava sozinha e não precisava de morfina para partilhar muitas daquelas ideias que atrofiam a mente do jovem e anti-social programador (e hacker) Elliot (Malek) e que é recrutado para uma organização que deseja acabar com as grandes corporações nos Estados-Unidos. O líder é um misterioso anarquista chamado Mr. Robot (Christian Slater).Mais novidades em breve!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Enquanto Somos Jovens: o que resta aos quarentões a não ser ter filhos, hem?




Algumas reflexões… Será que estamos condenados a sermos uns chatos rotineiros quando deixamos de ser jovens (e quando é que isso acontece ao certo?) Será que ter filhos é a única forma de preencher o vazio com a chegada dos 40? Será que todos os representantes da geração X são jovens intelectuais hipsters, adoradores de vinil e de cassetes VHS, que veneram roupas vintage?

Estas questões surgiram quando vi no outro dia, incitada por uma amiga mais velha, o novo filme de Noah Baumbach (realizador que me conquistou com A Lula e a Baleia (2005) e Greenberg (2010)), While We're Yong ('Enquanto Somos Jovens') com Ben Stiller e Naomi Watts, nos papéis principais - logo aí não ia nada contrariada, porque adoro os dois.

#Cenas da vida real



sábado, 15 de agosto de 2015

True Detective: fraquezas e diamantes de uma série que fez o meu coração sofrer





(SPOILER ALERT)

Não é preciso bater mais no ceguinho. Já estou chateada que chegue com aquele final. Atenção - não é um mau final, antes pelo contrário. Mas é que eu, tonta, entusiasmada pela redenção que é oferecida às duas personagens - interpretadas por Matthew McConaughey e Woody Harrelson -, na primeira temporada da série True Detective, guardei até ao fim a esperança numa Salvação, mesmo assim, com letra grande, pelo menos para um dos homens fortes da segunda temporada.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Interstellar: um 'ganda' filme de ficção científica

Não sou fã de ficção científica. Não me aquece nem me arrefece Não acho piada por aí além a nenhum dos novos filmes da saga 'Guerra das Estrelas', excepto os três primeiros, mas isso é porque são já vintage, e para mim o ‘Star Treck' é coisa de geeks. ‘2001 Odisseia no Espaço’, de Kubrick, não qualifica para esta categoria (demasiado conceptual) e ‘Blade Runner’ é, para mim, o ex-líbris do género.
Por isso – e porque não se fazem ‘Blade Runner’ por dá cá aquela palha -, geralmente quando assisto a um exemplar desta natureza, é sempre com um suspiro resignado de lá terá de ser, não podes ser sempre tu a escolher os filmes que se vêem nesta família, mas impossível conter o trauma que me ficou pelo tempo perdido a assistir ao 'Dia da Independência'. 

Por isso mesmo, ‘Interstellar’, com Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, foi um surpresa renovadora da minha esperança na ficção científica, prova absoluta que esta pode ser feito com algo mais do que toda a artilharia pesada dos meios técnicos, efeitos especiais atirados aos nossos olhos e que se esgotam em si mesmos e heróis estereotipados e musculados que vão salvar o mundo com armas e o Armagedão à mistura (atenção que a personagem de Matthew tem também como missão salvar o mundo, mas de herói típico pouco tem – Cooper é mais do estilo hero-next-door). 

O filme podia ter menos vinte minutos, é verdade, e não parece que a narrativa ou o efeito que a história tem em nós (sim, porque somos tocados no coração, piroseira à parte, em algumas cenas pai-filhos) fosse afectada, mas perdoa-se uma certa lentidão em determinadas partes. É que a visão de uma terra a finar-se, envolta em espessas tempestades de pó que contaminam os pulmões e obrigam a uma morte lenta, num cenário negro em que se esgota a comida e a esperança de sobrevivência de toda uma geração, ou a apoteose da viagem de Cooper para uma outra galáxia, em que o tempo se estica quase até ao infinito invertendo a noção de linearidade da física moderna, ou as visões de outros mundos, que nos soam tão realisticamente fantásticos, concebidas pelo realizador Christopher Nolan, ou a magistral interpretação de Matthew McConaughey, que nos redime e dá vontade de partir, de partir e de ficar ao mesmo tempo, partir para vivermos o que desejamos – não para salvar o mundo, porque, antes de mais, o que Cooper quer é viver o sonho de criança de ser astronauta -, e por fim, o argumento, inteligente e humano (como pode um filho envelhecer antes do pai e não enlouquecer?), tornam este um grande, grande filme.







quinta-feira, 18 de junho de 2015

Faltam dois minutos

Estou aqui à espera do sexto episódio da série da Fox, Wayward Pines. Parece que regressei aos eighties mas a espera por algo como um episódio é daqueles bons aguardares que provavelmente tem os dias contados. Mas para já vou é aproveitar antes que se torne uma relíquia. Está quase, quase. Ui.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Como uma renitente no assunto se torna uma mãe... convicta

Fui completamente apanhada na curva com esta história de ter um filho. Vamos começar do princípio: não sou uma children lover. Nunca fui. Sempre me considerei mais uma children runner: onde havia crianças, tinha uma aterradora tentação de debandar, fosse na praia, no hotel, no restaurante. Estridentes, mal-educadas em muitos casos, ou simplesmente… crianças. Não há paciência a não ser em doses muito moderadas, estilo medicamento homeopático. A vida permitia-me, por norma, permanecer afastada dos pequenos seres porque, em obediência à premissa taoista de que semelhante atrai semelhante, as minhas amigas não tinham filhos. A aproximar-se dos quarenta, tal como eu, conservavam-se alegremente (umas mais que outras) livres para se dedicarem a tudo menos a fraldas, a cocós e a noites mal dormidas, o que conduziria inevitavelmente os nossos jantares de gajas  a conversas sobre as fraldas, os cocós e as noites mal dormidas. As poucas crianças que surgiam na minha vida não eram, porém, desprezadas ou nada assim. Mas quando as minhas sobrinhas me pediam para ir vestir a Barbie com elas, suspirava para dentro. Nunca tive paciência para brincar.

Nisto, decidi ter um filho. Estava eu a viver a minha vidinha relativamente descansada quando, um belo dia (foi mesmo assim), aparentemente do nada, a ideia se cruzou comigo, enquanto fazia o meu caminho, com a fúria de uma mão divina. Queres e pronto, arranja-te porque agora não vais conseguir deixar de querer. De um momento para o outro, a ideia não me saia do caminho. Via grávidas na rua e só queria ser eu a estar grávida. Sonhava com uma barriga. Com enjoos e mamas inchadas e isso tudo, enquanto pensava, laconicamente, que a mudança não iria ser assim tão radical, graças à meia dúzia de avós disponíveis para o que desse e viesse. Era uma questão de arranjar um pouco mais de espaço numa agenda já de si preenchida, nada de mais, entre o trabalho, o ginásio e o curso de astrologia. Queria simplesmente ter um filho.

E engravidei.

Não me parecia à partida nada do outro mundo. As mulheres andam a fazê-lo desde que há hominídeos. É só uma questão de arranjar mais espaço na cama e umas roupas largas. Nove meses e uma criança está cá fora e a espécie continua.

Pois bem, um dois três, estás grávida. E o que é que aconteceu? Apaixonei-me. Amei o meu filho antes dele ter pernas, braços, nome. Amei-o no primeiro momento em que o vi (e como era pouco bonito). Pois é verdade que já vivi algumas histórias de amor. Já amei perdidamente, apaixonadamente, fugazmente. Mas nunca amei  de forma tão absoluta. Isso é tão verdade que se torna lugar-comum. Mas eu, que fugia dos lugares-comuns, esbarrei com todos. Foi a biologia a funcionar? Bem, nesse caso funcionou na perfeição, porque soube que nunca, mas nunca, o iria deixar e que matava quem lhe quisesse fazer mal. Soube que não quero mais nada a não ser que a ele seja feliz. Descobri que agora tenho medo da morte porque não quero que ele fique sem mim. Que não quero saber se ele é esperto ou burro, se vai gostar de homens ou de mulheres, se vai querer ser carpinteiro, futebolista ou gestor de empresas. Quero apenas que ele seja feliz. Quero apenas que as gargalhadas, se prolonguem na sua vida, sabendo que o vou amar e que, merda, ele vai sofrer, porque todos sofremos, e essa ideia é terrível. Descobri uma paciência infinita para estar de rabo no meio do chão, o dedo dele a apontar num livro sempre os mesmos bonecos e eu a repetir como um mantra "é o pato, é a galinha có-có-ro-có e ele a rir. E no meio disto tudo,  deixei de conseguir ver filmes onde acontecem coisas más a crianças. Choro como uma Madalena. Fico deprimida e angustiada. Deixei-me disso. Conclusão: as escolhas cinematográficas reduziram-se. Até porque vou menos ao cinema e não é porque não tenha os seis avós disponíveis e tudo o mais. É porque, na grande maioria dos dias, quero ficar com ele. Ir buscá-lo ao final da tarde. Rir-me com ele enquanto lhe faço cócegas. Levá-lo ao parque e dizer-lhe o nome de todas as coisas Sentir os braços dele em redor do meu pescoço. Adormecê-lo com  um história tonta e a fazer-lhe festas no cabelo. Sussurrar: Infinitos. Infinitos de Amor.


E se no final disto tudo ganhei paciência para as crianças? Não, nenhuma. Só para o meu.